Te adoro por antecipação, figura tardia amainando o meu longe. Sou a confissão da água que resta e a sede viciada de um monge que entrega-se à memória de outro sangue que mina te adoro entre ruínas...
Há tempos construí uma barca de palavras ao vento, que me levaria à margem do que já estava feito. Mas a realidade redemoinhou e afogou no meu sono, minha barca comigo dentro.
Através de poemas tentei amar, fácil e covardemente, como se fosse válido lapidar uma jóia que não era só minha.
Confesso que remei sem os remos. E encontrando um tufão, dancei sua música sozinho.
...Enquanto afogo-me. No continente meus poemas são lidos e não os entendem...
A distância me fez de memórias. Não te ambiciono mais. E tudo que te ofereço agora, é essa cor seca que não se cobra, negação de palavras e horas (o meu bouquet de rosas).
Certeza alta me mutila: (procissão de pétalas) é essa dor de ausências. Abandono de palavras num altar (sumidouro de prosas).
Ser dono é me saber meu sem precisar de outra glória... E a cor sangue que guardo pra mim, por diversão e alheamento. Conforta-me.
Limpo a casa. Teço minhas preces em versos anônimos. Calo-me porque sou calado assim. Beijo-te ao te olhar. Curo a anêmica ferida ofereçendo músicas para quem me visitar. Construo avenidas mínimas onde não se avista o fim. Limpo a casa com o melhor de mim.
A rua, a bola e vários olhares. Vagos sentidos de vida. A casa amarela e as outras cores perdidas Pretendem-nos vida. O nosso desejo era enxergar mais longe Onde moram as respostas e as mentiras Mas há um limite e um consolo: Esse jogo de inevitável fim nunca termina.